Dá pra lembrar bem das fases da minha vida onde eu vi necessidade de manifestar as mudanças. Digo manifestar através da escolha do corte de cabelo, do jeito de usar a maquiagem (ou de começar a usar!), da seleção do que vestir… Eu lembro a marca da primeira coloração de cabelos que usei, quando eu tinha uns 13/14 anos (e levei o primeiro grande fora da vida), numa viagem com a então melhor amiga. De lá pra cá, já fui castanha, ruiva, loirinha, loirão, e até uma tenebrosa fase de cabelo meio roxo (tentando tirar o ruivo!) rolou.

Depois de cansar de mexer no cabelo, eu comecei a criar coragem (influenciada pela diversidade de tipos na faculdade!) para mudar um pouco meu estilo pessoal. Quando comecei meu curso de design era a menina de cabelo castanho, longo e liso, de calça jeans, camisetinha engraçadinha e tênis. No meio do curso, virei a mocinha do cabelo vermelhão, com roupas coloridas e sandálias plataformas (ai…), pra formar sendo a moça loirinha de sapatilhas. A gente muda, né?
E aí que nos últimos tempos, a moça loirinha de sapatilhas virou a mulher casada que tem o próprio escritório, e aí pessoas, a mudança foi grande demais para eu conseguir, sozinha, digerir isso tudo e estruturar uma maneira de comunicar a mudança visualmente. Foi então que comecei a sentir a necessidade de conversar com alguém que entendesse do assunto, na minha cabeça era um “designer de pessoas”… Depois fui ver que o que eu queria mesmo era um personal stylist, hehehe… Tive a sorte de um profissional desses aparecer do nada na minha vida (nessa roça grande – como a gente carinhosamente chama – que é BH!) e desde que passei a conviver diariamente com uma pessoa que tem essa preocupação, a minha necessidade se tornava mais e mais evidente.

Aí chegou o momento: não foi tão drástico, na verdade… Optei por uma “otimização de guarda roupa“, porque, sendo bem sincera, a profissional que me atendeu já era amiga e dava uns toques assim, de leve, ehhehe… E aí comecei a perceber a necessidade de escrever este post. As pessoas não entendem a minha felicidade em ter me livrado de mais de 50% do meu guarda roupa. Acham estranho eu ter optado por não usar tantas peças coloridas, falam que “combina comigo”. Só que o que ninguém conseguiu perceber (é meio esquisito alguém gostar de jogar roupa fora, né?), é que foi ótimo pra mim!!
Pode parecer estranho, mas aquele tanto de estampa fofucha, babadinhos cor de rosa com bolinha e sapatinhos lindinhos não são mais o meu reflexo! Por mais que eu continue amando estampas, agora eu prefiro vê-las numa vitrine, e não no meu guarda roupas! Foi libertador ter alguém me dando o seu aval para que eu me livrasse de tanta coisa que representava o meu passado, para dar espaço àquilo que tem a ver comigo, hoje. Porque é isso que acredito que a roupa que a gente usa deve refletir: a gente, hoje.

Acho que o processo não foi tão traumático assim porque encarei como um “design de gente”… Bom, da minha imagem, pelo menos! Se as pessoas me contratam (já contei que sou designer, né?) para criar a imagem da empresa delas, e eu sou uma profissional indicada para instruí-las com a imagem de sua empresa, fazia total sentido que eu confiasse a minha imagem a uma pessoa que é expert nisso. E aí que depois de muita insegurança (que foi o que me levou a fazer os agora polêmicos posts de “Look da Lú”) e incerteza, eu finalmente me achei de novo, e estou satisfeita com minhas escolhas ao vestir. Algumas amigas ainda estranham “mas Lú, aquele vestido era a sua caraaaa!“, mas tenho certeza de que elas percebem que agora eu me divirto mais, experimento mais, erro mais e estou feliz da vida escolhendo aquilo que reflete o que sou, ao invés do que os outros acreditam que eu seja. Acho que todo mundo deveria experimentar!