Meia-Noite. Em Paris. Com Woody Allen.
23 . 06 . 2011
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Em: Celebridades, No Cinema
Lorena Borges

Ano sim, ano também, Woody Allen nos presenteia com mais um filme seu em cartaz. E, se geralmente os filmes do cineasta não são grandes sucessos de bilheteria, inclusive no Brasil, desta vez a história está sendo um pouco diferente, não sei se por causa da escolha da cidade: Paris, ou dos atores escolhidos: Owen Wilson, Rachel McAdams e Marion Cotillard. Fato é que o filme teve uma excelente bilheteria em seu final de semana de estréia no país!

Woody Allen é um dos meus cineastas favoritos. Já assisti demais, estudei demais e até já dei aula só sobre ele! Hahaha! E o que observo (assim como alguns teóricos que já escreveram sobre o diretor) é que o trabalho de Woody Allen, às vezes, parece ser dividido em fases. No início, eram filmes com humor bem rasgado, com muitas piadas físicas (tipo escorregar em uma banana e cair!) e muitas referências e citações a outros filmes e obras importantes para o diretor. Em seguida, Woody Allen começou a desenvolver um humor mais refinado, mais intelectualizado, preocupado com questões existenciais, mais neurótico e hipocondríaco e essencialmente nova-iorquino, digamos assim! Depois Allen foi aprimorando seu estilo e começou a querer experimentar coisas diferentes, voltando seu foco para o drama. Filmes como “Interiores” e “Hannah e suas Irmãs” são bons exemplos dessa fase do diretor, que acabou não agradando muito ao público…

Então, ele volta a fazer o que faz de melhor, comédias, mas sempre tentando inserir algum elemento mais dramático, como que para fazer o público também refletir e não só rir… Mas o que é muito claro é que Allen parece estar sempre repetindo os mesmos temas, tratando as mesmas questões, contando as mesmas piadas. Como se fosse um trabalho constante e sem fim de aprimoramento dos filmes que ele já fez, mas sempre apresentando novas questões, novos elementos, novas maneiras de se olhar para as mesmas coisas.

Atualmente o cineasta começou a desenvolver uma fase que tenho gostado muito, embora ainda não esteja muito bem definida… Parece que o diretor escolhe uma cidade no mundo que gostaria de filmar e escreve toda uma história de acordo com o que sente daquele país, de acordo com a forma com que enxerga a vida e as pessoas de cada local. Começou com “Match Point”, na Inglaterra. Um filme frio e calculista, dotado inclusive de uma certa falta de esperança e de uma maneira muito objetiva e pouco romântica de se encarar a vida. Depois veio “Vicky Cristina Barcelona”, um filme muito mais colorido, com personagens mais vivos, cheios de emoções e confusões, que não deixam de tirar proveito do que a vida tem de melhor.

E agora com Paris em “Meia-Noite em Paris”, Woody Allen pega toda a aura boêmia, romântica e fantástica da cidade e a transporta tanto para a história que está contando quanto para seus personagens! Mais uma vez todos os elementos dos filmes de Woody Allen estão ali: o humor intelectualizado, uma pitada de hipocondria, citações e referências, relacionamentos conturbados e mal resolvidos, questões existenciais… Mas parece que tudo sob uma ótica diferente, como se o filme tivesse passado por um filtro ou uma lente especial. Uma “lente Paris”, que faz com que tudo tenha um toque diferente, um sabor diferente. E encantador, assim como a cidade.

Não vou contar muito sobre o filme porque acho que a graça é realmente não saber muito sobre ele e ir descobrindo-o aos poucos, aproveitando cada piada, identificando cada referência ou citação, deliciando-se com as imagens e encantando-se cada vez mais com a doce história que se desenrola na telona. E foi assim que sai do cinema: encantada com o filme e com a Paris que Woody Allen me apresentou e já ansiando pelo próximo filme do diretor, ano que vem!

PS: E lógico que sai do cinema ansiando por outras coisas também, tais como ver o filme mais umas três vezes, voltar para Paris o mais rápido possível e ter o armário inteiro da Marion Cotillard! Aliás, sai do cinema querendo SER Marion Cotillard! Hahahah!

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